O Moinho e o Memorial
Instalado às margens do arroio Lajeado Ferreira, na Comunidade de Linha Sétima, Arvorezinha, na região do Alto Taquari, no Rio Grande do Sul, o Moinho Burille teve a sua construção iniciada por volta de 1930. Adquirido, equipado e finalizado por Narciso Burille em 1935, passa a beneficiar além do milho, farinhas de trigo e arroz e segue com a família até a sua doação, para a AAMoinhos, no final de 2019.
Considerado uma potência econômica para a região, o Moinho Burille ficou conhecido em todo estado por sua farinha de nome “Boa Sorte”.
A propriedade onde ele se encontra concentrou uma série de serviços, responsável por abastecer a pequena comunidade, como armazém de secos e molhados, moagem de erva-mate, produtos da lavoura e criação de porcos e peixes. Não faltaram a banha, salames, copas e vinho.
Esta vocação multidisciplinar, o amor ao trabalho e a persistência característica da gente do campo, a valorização destes saberes e fazeres ligados à terra, à agricultura familiar, herança da imigração italiana, são os valores que norteiam o seu projeto.
Uma vez recuperado, restaurado e equipado em sua totalidade, o Moinho Burille e Memorial do Grão estará capacitado para visitação, tanto aos processos produtivos do moinho, quanto à exposição temática e de grãos crioulos, além de exposição permanente de conteúdos sobre a vida camponesa e imigrante e pequeno memorial em homenagem à Família Burille.
Também fazem parte do projeto de usos futuros, escola agrícola, serviços de lazer, restaurante e de hospedagem.
Em 2023, o Moinho Burille teve o seu projeto cultural aprovado na LIC-RS, onde buscou realizar a primeira de sete etapas de restauro e construção de novos usos do Moinho Burille e Memorial do Grão.
Em 2024, o Estado do Rio Grande do Sul era profundamente impactado pelas cheias de maio e de setembro, impossibilitando a captação.
Em 2025, novo projeto foi aprovado na Lei de Incentivo Fiscal do Governo Federal, a Lei Rouanet, estando em etapa de captação.
Nome do Bem: Moinho Burille
Localização: Linha Sétima, Arvorezinha (12km), na divisa com o município de Itapuca (8km) Data da construção: 1922 (estimada). A propriedade fica ao lado do Rio Ferreira. Estado: Fechado
Proprietários:
– Primeiro proprietário: Angelo Dall Agnol
– Segundo proprietário: Narcíso Burille
– Terceiro proprietário: Quirino Burille
– Quarto e último proprietário: Claudino Antônio Borille
Finalidade:
– Primária: moagem de grãos para produção de farinhas (trigo, milho, arroz)
– Secundária: armazém de secos e molhados
– Atual: restauro
Histórico:
1920/22 – Narcíso Burille chega ao povoado que se tornaria Arvorezinha. A estrutura do Moinho já havia sido erguida por Angelo Dall Agnol. Carpinteiros: Damiani e Pedro Dalcortivo.
1932 – O moinho entra em funcionamento de modo precário, tendo como principal maquinário a pedra de milho. É instalada a primeira turbina, da marca Wills com 15 cavalos/35mm, para aumentar a produção de farinha.
1935 – Narciso Burille compra o Moinho de Angelo Dall Agnol e dá seguimento a construção e melhoramentos na edificação.
1936 – Novo maquinário é implementado e o Moinho Burille passa a beneficiar, além do milho, arroz e trigo.
1945/1946 – Construção da barragem em pedras basalto. Pedreiros: Pompeu de Matos, de Guaporé.
1950 – Narciso adquire o cilindro para a produção de farinha de trigo, marca alemã Liebber 80 de comprimento e 60 de diâmetro (melhor moinho para produzir farinha na região) com capacidade de 3,500 kg. Antes a farinha de trigo era moída na pedra Francesa (da França).
1953 – As dependências do Moinho são vendidas para um dos filhos, Quirino Burille.
1963 – Claudino Burille adquire o Moinho de seu irmão Quirino, e no dia 1˚ de agosto passa a residir na casa erguida ao lado do Moinho.
1967 – Uma segunda turbina (marca Wills 27 cavalos/50mm) é instalada pelo engenheiro de Caxias do Sul Nino Covolan, possibilitando a produção de até 6t de farinha por dia, comercializada em todo o estado com o nome “Boa Sorte”.
- Também neste ano, Claudino adquire a Plancista de origem francesa (peneira que separa os grãos) para beneficiamento do trigo, instalada pelo Engenheiro de Caxias do Sul Nino Covolan.
1969 – Construção da casa 8×14, por Luiz Simoneto.
1972 – Junto ao Moinho, a família Burille passa a explorar um ponto comercial que abasteceria toda a região. Além de farinhas, no armazém comercializava-se outros itens de secos e molhados, como roupas, alimentos, ferramentas, insumos e produtos agrícolas e coloniais, entre outros.
- Também neste ano, como alternativa econômica, Claudino Burille inicia a criação de porcos (600 animais) e a fazer transporte de outros criadores para abatedouros da região.
1974 – Claudinho Adquire do Moinho Colognese, de Ilópolis, um “desatador de grãos” – peça instalada embaixo do cilindro, que tem a funçao de desatar/separar os grãos que vem empastados da moagem.
1980 – Devido a crise e falta de produção, o moinho encerra as suas atividades de moagem de trigo, passando a moer somente milho e a descascar e polir arroz.
1996 – Encerram-se completamente as atividades do moinho, devido a escassez de mão de obra e matéria-prima, q impactavam todo o mercado. Além disso, problemas de saúde do proprietário e o direcionamento dos filhos para outras atividades.
2019 – Na tarde do dia 22 de Julho de 2019, no Tabelionato de Notas de Arvorezinha, ocorreu a efetivação do registro de doação da área de terra rural onde localiza-se o Moinho Burille, feita à AAMoinhos pelo benemérito doador e proprietário, Sr. Claudino Burille e esposa, Sra. Zélia Burille, acompanhados dos filhos Oscar e Eriberto. Representando a entidade, sua presidente, Sediane Dall’Agnol Roman, diretores e associados. Também estiveram presentes: prefeito de Arvorezinha Sr. Rogério Fachinetto, Vice-prefeita Sra. Elisabete Mucelin, Presidente da Câmara de Vereadores, Sra. Sueli Lodi Giordani, Vereadora Marisa Parisotto, Secretária de Cultura e Turismo Sra. Rosilaine Marcon e representantes dos Conselhos de Cultura, Turismo e Patrimônio Histórico.
Fontes de pesquisa histórica: Claudino Burille, Quirino Burille e Família Burille
Entrevistas e organização: Luca Predabon e Neuro Coradi










