Em obras de restauração, a centenária Casa Martelli é a mais nova integrante da rota cultural e turística Caminho dos Moinhos
Em 1910, quando o casal Alexio Angelo Martelli e Elisabetta Da Ré saiu de Faria Lemos, em Bento Gonçalves, e construiu sua casa de madeira alicerçada por pedras talhadas cuidadosamente sobrepostas, com 9,74 metros de altura e 334m² de área, não imaginava que mais de 100 anos depois o local se tornaria sinônimo de preservação histórica e arquitetônica.
A “Casa Martelli”, como ficou conhecida, é uma construção de característica italiana edificada com materiais de alta resistência, como madeira de canjerana e tijolos de barro, ocupada pelo casal Martelli e os nove filhos. Décadas depois, mesmo sem moradores, a estrutura permaneceu firme, chamando a atenção da comunidade.
Foi por sua contribuição frente à história da imigração local e pelas possibilidades que ainda poderia oferecer, que um projeto de restauro foi proposto, com o objetivo de transformar a casa principal, de madeira, em uma bucólica hospedagem na zona rural. Uma nova varanda, conecta a casa à cozinha, que teve grande parte de sua estrutura preservada e apta a receber equipamentos modernos, prometendo devolver funcionalidade ao espaço, sem que as características iniciais sejam perdidas.
Na rota do turismo
Patrimônio histórico e cultural do município de Anta gorda, mesmo em restauro, a Casa Martelli já é parte integrante do “Caminho dos Moinhos”, rota turística, cultural, histórica, rural e gastronômica que também contempla os municípios de Arvorezinha, Doutor Ricardo, Ilópolis, Itapuca e Putinga.
O projeto prevê a transformação da casa principal, varanda e cozinha em hospedagem e o porão, em receptivo para grandes grupos. Conta ainda com a criação de um novo espaço expositivo e de aprendizagem: o Memorial do Leite, em homenagem a uma das principais atividades econômicas de Anta Gorda.
Restauro da Casa Martelli – Etapas Realizadas
• Primeira Etapa (LIC RS – ProCultura)
A primeira fase do projeto contemplou melhorias na casa principal, de madeira e no porão da Casa Martelli para instalação de um restaurante com capacidade para 50 pessoas. Os oito quartos da edificação abrem possibilidade para hospedagem, oferecendo ao público uma experiência bucólica de vivência no passado.
A primeira etapa, financiada via LIC RS, que consistiu na limpeza do imóvel, lixamento e escovação das madeiras, das antigas aberturas, do alinhamento da estrutura e do piso e na substituição de algumas tábuas e de parte do telhado, está finalizada. “Removemos a madeira danificada nas paredes e substituímos por tábuas do mesmo tipo e espessura, assim como o telhado em aluzinco”, explica Ismael Rosset, arquiteto responsável pelo acompanhamento técnico local da obra. Já o “passadiço”, espaço que separava a cozinha da sala e dos quartos – uma característica da arquitetura colonial italiana para a proteção contra possíveis incêndios – foi removido para dar espaço a uma nova estrutura de acesso, mantendo a sua tipologia original.
Testes de cor foram feitos para que o corpo da casa voltasse a ter a tonalidade rosada original e suas aberturas em vermelho. Marcello Ferraz, arquiteto da Brasil Arquitetura, escritório de São Paulo responsável pelo projeto de restauro, falou sobre a pintura. “O projeto visa o que será a casa, não o que já foi. É a liberdade das novas propostas. Mas como o tom rosado é algo que se quer respeitar, será mantido. O contraste da cor rosa com o verde da natureza é uma decisão de projeto que dialoga com o passado”, analisa.
Financiamento: LIC RS – Procultura • Realização: AAMoinhos • Patrocínio Master: Diamaju Agrícola • Patrocínio: Agraz Refrigeração e Agrodalla
• Segunda Etapa (Lei Rouanet)
Visita Técnica e Preparação do Espaço
O arquiteto Marcelo Ferraz realizou visita técnica junto à equipe responsável, orientando os encaminhamentos do restauro. Foram feitas limpezas, demolições e remoções necessárias para adequação do espaço, incluindo a preparação para acessibilidade e a reorganização dos acessos.
Estrutura e Infraestrutura
A obra avançou com a concretagem da laje do piso térreo, instalação de vigas, muros de arrimo e colunas de ferro fundido. Também foram implantadas as redes de água, esgoto e energia, consolidando a base estrutural da casa sem perder de vista o respeito ao traçado original.
Preservação de Elementos Históricos (em andamento)
Partes significativas foram retiradas para tratamento e posterior reintegração, como o forro da cozinha com sua pintura azul original. Elementos danificados, como o guarda-corpo, estão sendo refeitos com fidelidade às formas originais, preservando a memória do edifício.
Financiamento: Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal – Lei Rouanet • Pronac 237853 • Realização: AAMoinhos • Patrocínio master: Diamaju Agrícola




















